domingo, 2 de agosto de 2026

Miguel

Sei a que sabe essa dor.  Sei das lágrimas e dos suspiros que ela carrega.  Sei a que cheira essa insónia.  Sei do tic-tac do relógio, no silencio da noite.  Sei dos minutos que não passam e da dança dos ponteiros.  Sei da anestesia da minha alma e da obsessão da tua imagem nos meus olhos fechados.  Estarás diferente, agora?  Sei da dor que não passa, ainda que afague  o pensamento com a mão.  Poderia ter sido diferente?  Poderia  doer menos a saudade?

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